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Passadiço ribeirinho de Loures sobre estacas helicoidais, junto ao Estuário do Tejo
Caso de Estudo

Passadiço Ribeirinho de Loures

Estacas helicoidais em harmonia com o sapal do Estuário do Tejo, num percurso de cerca de 6 150 m.

Entre janeiro e junho de 2023, a Rotopile fez as fundações do Passadiço Ribeirinho de Loures, um percurso pedonal e ciclável de cerca de 6 150 m na frente ribeirinha do Estuário do Tejo. O passadiço serve a zona que viria a acolher o Parque Papa Francisco, palco das Jornadas Mundiais da Juventude 2023.

O traçado atravessa cerca de 36 hectares de sapal, uma das zonas húmidas mais importantes da Europa. A regra do projeto era mexer o menos possível neste ecossistema, e por isso o passadiço foi pensado em madeira e aço, com o mínimo de escavação e de betão feito no local. A fundação tinha de acompanhar essa lógica.

O terreno não ajudava. Por baixo de dois metros de aterro arenoso vinha uma camada de argilas muito moles, com 13 a 33 m de espessura, e só entre os 26 e os 38 m apareciam as areias siltosas muito compactas, com cascão, capazes de receber carga. Qualquer fundação tinha de atravessar todo o lodo até lá chegar.

Passadiço de madeira sobre o sapal do Estuário do Tejo, em Loures

A solução juntou estacas de madeira e estacas helicoidais. O tabuleiro assenta em estacas de madeira, em oito fiadas de três, de quatro em quatro metros e com cerca de oito metros cada. Para travar a estrutura na horizontal e responder à ação sísmica, entraram estacas helicoidais Rotopile da gama PRO, em tubo Ø88,9 × 8 mm com hélice Ø400 × 10 mm, cravadas inclinadas a 45° em pares a cada 32 m de passadiço. Nas zonas de lodo mais fundo, chegaram aos 37,5 m.

O projeto pedia 57 kN por estaca. Fizeram-se três ensaios de carga em estacas verticais, que confirmaram a solução com folga, acima dos 100 kN por estaca.

A cravação foi feita com uma giratória de 30 toneladas e cabeça de rotação Digga D40, por rotação, sem perfurar, sem betão e sem caldas de cimento. Sem furos abertos não houve lamas nem entulho para tirar do sapal, e o ritmo chegou aos 180 m de estaca por dia. Ao todo cravaram-se cerca de 2 500 m de estaca, com ganho claro de prazo e de custo.

O que mais pesou foi o impacto ambiental. Sem escavações de monta, sem resíduos de perfuração e com muito menos material de pegada de carbono alta, o sapal manteve-se praticamente intacto. E, como qualquer estaca helicoidal, estas podem um dia desenroscar-se e devolver o terreno quase ao estado em que estava.

218 estacas helicoidais · Ø88,9 × 8 mm com hélice Ø400 × 10 mm · até 37,5 m · ~2 500 m cravados · 180 m por dia · uma giratória de 30 t

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